21% dos adolescentes já deixaram de comer ou dormir por causa da internet: Veja como orientar seu filho

O avanço da tecnologia, o cotidiano atribulado dos pais e o entretenimento imediato proporcionado por tablets e smartphones faz com que as crianças e adolescentes passem cada vez mais tempo na frente de telas. Mas o uso exagerado de tecnologia não é uma exclusividade dos pequenos. Estudo da ONG norte-americana Common Sense Media feito com 1.786 adultos com filhos entre 8 e 18 anos mostrou que os pais gastam 9h22 minutos diários em celulares, tablets e computadores, a maior parte desse tempo dedicado a conteúdos de entretenimento ou resolvendo questões pessoais. Apesar do excesso de tempo dedicado à tecnologia, 78% dos entrevistados acreditam que são bons modelos para os filhos quando o assunto é uso de dispositivos eletrônicos.

A Sociedade Brasileira de Pediatria alerta que o uso prolongado e a exposição precoce a mídias sociais, jogos eletrônicos e aplicativos podem causar prejuízos físicos e mentais às crianças e adolescentes, problemas que podem se estender até a vida adulta. Os números são preocupantes. Segundo dados do Comitê Gestor da Internet (CGI) e do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade de Informação, 21%dos adolescentes já deixaram de comer ou dormir por causa da internet. A Organização Mundial de Saúde (OMS) já considera que uma em cada quatro pessoas sofre algum transtorno comportamental ligado às novas tecnologias.

A pesquisa do CGI apontou ainda que 17% dos brasileiros entre 9 e 17 anos já procuraram informações sobre como emagrecer, 10% pesquisaram formas de machucar a si mesmos, 8% relataram uso de drogas e 7% buscaram maneiras de cometer suicídio. O uso incorreto pode acarretar desde o aumento de problemas de visão, como a miopia, até piora em quadros de depressão, ansiedade e insônia.

Os perigos não param por aí. Comportamentos de risco como ter contato com pessoas que não conhecem pessoalmente foram observados em 39% dos jovens pesquisados. Outros 21% já repassaram informações pessoais para contatos online e 18% se encontraram com desconhecidos. O controle parental é o primeiro ponto a ser observado quando falamos em uso de tecnologia por menores de idade e nesse campo também há sinal de alerta: 11% das famílias desconhecem o que os filhos fazem na web e 41% disseram saber “mais ou menos”.

Mas como evitar que crianças e adolescentes sofram com os prejuízos causados pela exposição errônea às mídias? Para o Departamento de Adolescência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o controle passa por três pilares: exemplo e conversa, limite de tempo e supervisão.

O primeiro passo é conversar com os filhos sobre a utilidade da rede de computadores e os riscos reais da navegação inadequada. Os pais devem ficar atentos à classificação indicativa de filmes, vídeos e conteúdos consumidos por seus filhos. Os menores de 6 anos ainda não têm maturidade cerebral para separar totalmente realidade e fantasia e, por isso, não devem ser expostos a conteúdos violentos, por exemplo. Já os adolescentes, devido à curiosidade típica da idade, tendem a procurar por vídeos e textos impróprios. Nesse caso, além de conversa, há maneiras de bloquear conteúdos adultos nos navegadores.

Controlar o tempo também é importante. A quantidade de horas deve ser proporcional à idade e ao desenvolvimento mental e cognitivo da criança. A Academia Americana de Pediatria recomenda o limite de uma hora de tela dos 18 meses aos 5 anos. A partir dos 6 anos, o tempo pode ser gradativamente aumentado e negociado com as crianças, estabelecendo condições e períodos com maior flexibilidade, como fins de semana e férias.

A seleção do conteúdo e a supervisão do uso de gadgets é a última ponta para o uso saudável da tecnologia. Utilize filtros de segurança e monitore palavras, categorias e sites impróprios. Há ferramentas para restringir o tempo de jogos online e mídias sociais por faixa etária. O Google, por exemplo, tem o botão SafeSearch, que bloqueia vídeos e imagens com cenas explícitas.

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