Superproteção pode dificultar amadurecimento das crianças e causar reflexos na fase adulta

Fazer pelas crianças tarefas que elas já têm condições de realizar sozinhas. Evitar situações que causem frustrações e sofrimento. Impedir que o filho explore, de maneira segura, o ambiente e desenvolva novas competências e habilidades. O excesso de zelo e proteção por parte dos pais pode minar a autoestima e até causar atrasos no aprendizado dos pequenos, segundo os especialistas.

Estudo elaborado pela Universidade de Minnesota analisou, durante oito anos, 422 meninos e meninas de diferentes etnias e condições socioeconômicas, realizando avaliações em três ocasiões distintas: aos 2 anos, aos 5 e aos 10. A metodologia utilizada incluía análise das brincadeiras entre pais e filhos. De acordo com os resultados, crianças filhas de pais excessivamente controladores demonstravam pior regulação emocional aos 2 anos de idade e maior incidência de comportamento inadequado aos 5. A maior regulação emocional causada pela autonomia resultou em melhores habilidades sociais e menor probabilidade de problemas escolares aos 10 anos.

Para a doutora Maria Regina Chirichella, docente do curso de Pedagogia do Centro Universitário Drummond, os pais superprotetores acreditam que o excesso de zelo torna a vida do filho mais fácil, mas a realidade mostra o oposto. “Criar filhos dependentes pode favorecer a ansiedade e gerar estresse, já que a criança pode não conseguir lidar com os fracassos”, diz a especialista em Psicologia Escolar e Desenvolvimento Humano.

Mas qual é o limite da proteção? Maria Regina lembra que o cuidado é necessário ao bom desenvolvimento dos pequenos, o prejudicial são os excessos. Para não cair em extremos, é necessário observar o comportamento da criança e responder às suas necessidades de comida, higiene, sono, segurança e estímulos. Porém, também é preciso despertar a curiosidade e evitar realizar tarefas que são de responsabilidade dos filhos.

“A criança pensa e é sujeito de suas ações. Os pais precisam exercitar a escuta atenta, deixar que o filho opine e atue”, afirma Maria Regina. Escutar a criança ajuda a reforçar o vínculo e estimula o reconhecimento do valor próprio. Em relação à escola, os pais devem ficar atentos se a Instituição possibilita aos alunos aprender, estudar, pesquisar e descobrir respostas de acordo com os instrumentos disponíveis.

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