Qual distância entre o seu sonho e a sua realização?

Francivaldo é um cara de sorriso fácil. Apresenta-se costumeiramente de bom humor. Não nega uma boa prosa. Quem o acompanha e vê a felicidade estampada em seu rosto, não sabe, porém, das dificuldades que já teve que enfrentar em sua vida até conseguir, finalmente, realizar um dos seus principais sonhos, formar-se no ensino superior, uma realização que sempre lhe pareceu distante, longe, quiçá, impossível.

Mais longe, inclusive, do que sua jornada retirante, quando aos 24 anos deixou sua cidade natal, Teresina, capital do Piauí, para tentar a sorte de uma vida melhor “na cidade grande”. Foram mais de 2.653 quilômetros para chegar a São Paulo. A jornada se deu, entre poucas caronas, e, sobretudo, a pé. Caminhadas que chegavam a durar 17 horas por dia. Acordava às 05h e só ia parar às dez da noite. E pior, sem dinheiro. “Todo o pouco dinheiro que tínhamos acabou na primeira viagem de ônibus. Depois disso, conseguíamos alimentação em troca de alguns serviços, como capinagem”, recorda, Francisvaldo. “Caminhávamos durante o dia, por conta da insegurança de andarmos de madrugada”, lembra.

Além das dificuldades que se pode imaginar em fazer uma jornada desse tipo, o dia-a-dia desta viagem também foi marcada por tantas outras complicações. “Comida mesmo só quando alguma pessoa generosa nos dava, porque nosso pouco dinheiro acabou nos primeiros dias. Cheguei a desmaiar de fome, certa vez”, recorda. A dificuldade em conseguir se alimentar era tamanha, e para dormir, ainda mais. “Fazíamos alguns serviços para fazendeiros e em troca, eles nos davam arroz, farinha e água para nos alimentar. E dormíamos em frente às fazendas, pois era mais seguro”, continua, lembrando do trajeto por Brasília e Minas Gerais.

Chegando a São Paulo era a hora de cumprir sua missão. Em busca de emprego e salário – para, principalmente, ajudar os pais em Teresina -, começou a trabalhar como gari. Sabedor da necessidade e importância de ter estudos retomou o Ensino Fundamental e se formou no Ensino Médio. Agora, era hora de iniciar a realização do principal sonho: a graduação em ensino superior. Foi então que se formou em Administração. Mas, como o destino nem sempre nos reserva boas notícias, não teve sucesso na nova profissão. “Era difícil conseguir estágios e, consequentemente, efetivações na área”, comenta.

Foi então que a Faculdade Drummond apareceu na vida de Francivaldo. “Disse a mim mesmo, vou tentar de novo, não posso desistir”. Já depressivo, se sentindo desvalorizado e sem entender do porque das dificuldades com a primeira formação, prestou o Vestibular Social da Drummond para graduar-se em Ciências Contábeis, que contou com muita ajuda da coordenação do curso. Foi então que recomeçou, mais uma vez, a vida.

Dali em diante as notícias passariam a ser melhores. Começou a trabalhar em um escritório de contabilidade, de uma conhecida sua, a Miriam, do bairro de onde mora, no Capão Redondo, extremo sul da capital paulista. “Depois de três meses de estágio, a Miriam disse que iria se aposentar. Perguntou se eu queria continuar administrando o escritório, o que, claro, aceitei, embora os desafios fossem enormes”. Hoje, Francivaldo comemora ter conseguido chegar muito mais longe do que sonhou um dia. Embora, afirme, quer muito mais. Para quem quase atravessou o País movido por sonhos e esperanças, quem há de duvidar de suas realizações?