Alunos do João XXIII realizam encontro com refugiados

Na última quarta-feira, 24, a Escola João XXIII – Unidade Penha do Grupo Educacional Drummond -, recebeu dois refugiados que foram contar suas histórias e dividir suas experiências de vida com os alunos. O encontro foi organizado pelo professor de Geografia João Pedro em conjunto com os estudantes do 3º Ano do Ensino Médio.

“A ideia é complementar os estudos dos alunos sobre a matéria que estamos estudando que trata de tensões e conflitos”, pontuou o professor, que também atua na ONG “O Caminho”, que atua com acolhimento e orientações a refugiados que chegam a São Paulo.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), no final de 2015 (dados mais recentes), 65,3 milhões de pessoas foram forçadas a deixarem seus países. Esta é a maior crise humanitária desde o término da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Destas pessoas, a maioria, (40,8 milhões) foi forçada a sair de suas casas, ainda que não necessariamente de seus países, os chamados deslocamentos internos. Outros 21,3 milhões de cidadãos fugiram de seus países, estes, denominados refugiados.

O Brasil recebeu, segundo dados do Comitê Nacional de Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça, 8.731 refugiados de 79 nacionalidades diferentes, por motivos também diferentes, em especial por perseguições religiosas e fugindo de guerras.

A intolerância com a religião diferente foi o motivo que fez o paquistanês Ijaz Masih, 45, sair de seu país rumo ao Brasil. Antes, morou durante 35 anos na Arábia Saudita. Cristão, o paquistanês conta que a vida em um país majoritariamente mulçumano não era fácil. “Escolhi o Brasil justamente por ser um país tolerante com as diferentes religiões. Aqui fui muito bem recebido, o povo é adorável e simpático”, comentou durante a entrevista que fez com os alunos, acompanhado de seu filho, Zain Ijaz, 14.

Já o estudante de Direito Abellard Bélizaire teve sua vida completamente mudada quando em janeiro de 2010 um terremoto de sete graus de magnitude devastou o Haiti, sua terra natal. Como o Brasil atua como Força de Paz, pela ONU, naquele país, desde 2004, um acordo obriga o Brasil a receber refugiados haitianos. “Estudava em um prédio que desmoronou com o terremoto. Não tinha condições de continuar vivendo lá. O país estava destroçado, e as ajudas humanitárias que chegavam eram desviadas pela corrupção que existe no Haiti”, lembrou. “Ainda vou voltar para lá, tenho esta esperança. Serei juiz, e vou prender todos estes políticos corruptos”, vislumbra.